quinta-feira, 30 de abril de 2009

Capítulo X

"Sobre as palavras e os versos;
Dedicados aos pequenos pedaços do meu mundinho;
que aos poucos eu vou recolhendo e seguindo o meu caminho."

As últimas palavras são sempre as mais difíceis;
Poucas linhas e o fim, logo ali.
A esses muitos momentos de poesia,
saudade das confusões literárias do nosso amigo eu-lírico.

O final pode ser feliz, ou triste.
Podemos casar o personagem, matá-lo, ou deixá-lo aonde está.
Ao menos podemos viver um pouco desses versos,
que tanto contam a história desse menino.

O final da sua história é longo,
e mereceria mais alguns bons capítulos.
Mas vou manter a subjetividade dessa série,
e aguçar a imaginação de vocês.

Depois que esse texto termina,
nosso amigo publica o seu primeiro livro,
e com ele uma grande carreira como escritor.
Enquanto seus versos são lidos por esse mundo a fora,
seus amores, ainda idealizados,
nunca que poderiam acontecer.

Anos depois, com uma coleção de livros escritos,
e alguns cabelos brancos,
termina os seus dias como poeta solitário.
Bem longe dos grandes centros e das muitas pessoas
que não aprendeu a conviver.
O nosso menino sonhador, perdeu o encanto da vida,
suas lágrimas não tem a emoção de antes,
as folhas em branco, podem ficar anos em branco.
Mas os sonhos,
esses ainda orquestram os dias e as noites
e todos os seus tons coloridos.

Assim, termino estas muitas palavras,
com mais uma mensagem do nosso eterno menino.

"Escrevo poesia inconsequente.
Os mesmos versos, agora verdes, azuis e amarelos.
Escrevo arte,
até mais, realidade.
As noites ficam claras, e eu, paro."

Por Rafael

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Capítulo IX

De frente para o Central Park,
foi aonde decidiu morar.
Inspiração nunca mais seria o problema,
com uma bela paisagem.
E nesses muitos dias de mudanças,
muitas lembranças e poucos versos.

O lugar era grande, e seu maior desejo,
uma pequena mesa em frente a janela estava lá.
Nesse momento,
sentado de frente para melhor vista do apartamento;
Se permite pensar.

"Vou escrever meus medos,
aprofundar aqueles desejos.
Fazer poesia dos versos,
procurar nos seus traços
outros sorrisos."

E aquela menina que ficou no passado;
Nada o ajudou a se aproximar dela,
quando seus versos conseguiram, não sabia o que fazer;
Seu amor era idealizado demais para acontecer.

"Se eu tivesse uma última chance,
erraria tudo de novo.
Me apaixonei por um sonho,
talvez você nem exista."

Sentia saudade do pai,
homem frio, ausente.
Mas foi a única pessoa que o amou nessa vida.
Muitos foram as noites o esperando,
ainda olha pra porta para ver se não é ele chegando.

"Declaro aos ventos meus versos,
na esperança que estes soprem até você.
E se cada silêncio se estender a eternidade,
minhas palavras é que não vão se perder."

Depois de tanto pensar sobre a sua vida,
nenhuma linha.
Mas as lágrimas, velhas companheiras.

"Levo meus próximos infinitos segundos
caçando estrelas,
e perdendo os meus caminhos."

Seu sorriso engana os de fora,
ninguém pode imaginar o que se passa com esse menino.
Como alguém pode se sentir tão rejeitado em seu próprio mundo,
ao ponto de ter que criar um inteiramente novo,
de versos.
No seu montinho de sonhos e palavras, completamente fechado a estranhos,
nada é tão colorido quanto deveria,
mas nesse espaço, e só ai, pode finalmente ser feliz.

Por Rafael

terça-feira, 28 de abril de 2009

Capítulo VIII

Imagino o quanto esse menino esta perdido,
por mais solitário que fosse, ainda assim, precisava de alguém.
Passo os meus dias de escritor,
a observar os dele, de poeta.
Essa distancia do mundo reservaram seus piores dias;
E seus melhores versos.

"Quando os ventos mudam de cor
os movimentos mudam os sentimentos,
aqueles em preto
agora dançam perfeitos."

Toda a frieza de emoções,
visões perfeitas da realidade imaginada.
Aos que não entendem a arrumação dessas palavras,
nunca terão a sensibilidade pra acompanhar essa história.
Seus dias são vazios, o tempo não passa,
os sentimentos se perdem,
fugindo do seu eu-lírico e seus escândalos literários.
A vida provou ser seu maior desafio,
não sabia como lidar com tantos sentimentos,
que por varias vezes foram motivo de surtos.
De olhos fechados sonhava;

"O meu pai, porque me deixou;
Queria eu ter a sorte de conhecer a vida além da minha"

As confusões e falta de novidades,
o fazem cair em uma crise de criatividade.
Achei que esse seria o último texto,
que nunca mais escreveria.
E aos poucos percebi que não era a vida que ele queria,
seus sonhos são escuros,
e neles, invariavelmente morre.

Perdido em seu próprio mundo,
escreve o seu livro como se alguém um dia fosse o ler.
Todas essas páginas amareladas,
se perdem em versos.
Nesses dias de poeta,
cada segundo parece estar mais perto do fim,
talvez agora seja o fim.

Suas últimas palavras são em silêncio,
impossível perceber o quão complexo é o nosso menino.
Sem explicação, decide se afastar.
Mas isso, é assunto para outros capítulos.

Por Rafael

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Capítulo VII

Simples nunca foi uma palavra do seu dicionário.
Aos dezesseis não sabia que rumo tomar,
e estava sozinho.
Na verdade ele nunca soube explicar o que sentia,
nem sabia se na verdade vivia,
quem sabe tivesse a sorte de ter esquecido de acordar.
Uma vida de tristes alegrias solitárias,
seus versos o mantinham vivo, e nada mais.

"E agora eu pareço querer reeditar meu próprio mundo;
Se o mar for o destino,
por favor entenda a necessidade dessa alma de voar.
Pois se antes a vida parecia ser só a busca de rimas,
hoje me parece bastante mais complexo."

Incontáveis sonhos, assim como qualquer outro,
gostaria de ter pais e alguns amigos.
Quem sabe até uma vida comum;
Comum, era tudo o que sempre quis ser.

"De trás pra frente;
Versos até inteligentes,
o poeta dos sentimentos, do eu-lírico."

Os vários dias e noites de profunda reflexão,
não necessariamente o ajudam a entender melhor o seu mundo,
mas com certeza produziam belos textos e
longos períodos de profunda tristeza.
O futuro parecia ser algo inatingível,
e tudo o que ele queria era sair por esse mundo,
conhecer todos os seus lugares e passar a vida escrevendo.
Decidiu que se mudaria,
queria morar sozinho, em outro lugar,
longe das suas memórias;
Agora, e só agora percebeu o quão difícil seria esperar
seu pai na escada,
e ele nunca mais chegar.

Por Rafael

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Capítulo VI

Poderia até não ser seu melhor amigo,
mas seu pai era a última ponte com a realidade.
Das varias noites que o ficava esperando na escada,
lembranças amargas do que é ser esquecido.
Não o culpo,
a morte da sua esposa, e o peso de ser pai,
o levaram a busca incansável pelo trabalho.
Esqueceu aniversários e feriados,
perdeu os sorrisos, a bicicleta nova e a primeira namorada,
além dos muitos outros momentos importantes na vida do seu filho.
Nessa última noite chuvosa,
o telefone lhe trás a notícia, seu pai foi levado ao hospital.
Passos largos e as lágrimas se misturavam com as gotas
de tristeza que caiam do céu.

"Meu filho, desculpe o seu pai,
que o que mais fez nessa vida foi te amar,
mas nunca soube te conquistar."

Ao nosso menino,
suportar a dor dessas últimas palavras era impossível.

"Adeus meu amigo, pra sempre serei teu filho."

E de novo as lágrimas, insistentes companheiras.
No momento em que as palavra não são suficientes,
deixo o nosso menino e adianto um pouco a nossa história.
Os dias seguintes foram silenciosos,
completou dezesseis anos;
Mas não havia o que comemorar.

"Há dias escrevo sem ver as horas passando,
não posso dizer que não senti sua presença.
Escrevo meus últimos versos,
e a luz se apaga."

Ainda fechado em seu quarto na casa em que cresceu,
seus passos trazem muitas memórias.
As reflexões, cada vez mais profundas,
levam a um quase isolamento da vida;
Alguns falam em depressão.
A essas novas idéias, seus pensamentos e sentimentos,
dedico o próximo capítulo.

Por Rafael

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Capítulo V

Nossa história continua e caminha para os amores impossíveis.
Altamente idealizador,
nunca soube o que era o certo e errado,
não aprendeu a separar a realidade dos seus versos.

"Vazio é tudo o que eu não sinto;
Existindo ou não.
Alguns passos e o pôr-do-sol."

No começo pareciam palavras inocentes,
quem sabe até um jeito diferente de dizer ao mundo o que sentia,
e principalmente, que algo sentia.
Aquelas folhas amarelas o ajudavam a conquistar novos amores,
e aos poucos mudavam sua biografia.
As amizades que havia conquistado,
não suportavam o tédio das suas crises existenciais.
E de novo,
o principal personagem dessas linhas é a solidão.
Toda essa revolução,
e uma mistura inigualável de sentimentos confusos
são os primeiros passos para o nosso menino criar suas barreiras.
Aos poucos os seus reais sentimentos foram ficando escondidos,
todos dentro de um livro de páginas em branco.
Muitas foram as pessoas que tentaram conhecê-lo a fundo,
e em todos os nossos capítulos,
ninguém nem perto um dia chegou.
Escrever virou um dom, e nessa promessa de boas palavras,
seu eu-lírico idealizava grandes amores.
Á ele, restou viver a vida em sonhos.

"O difícil é saber o limite entre escrever e viver,
idealizar o mundo é sempre bonito,
triste é perceber que ele não existe."

Por Rafael

terça-feira, 7 de abril de 2009

Capítulo IV

"Quando os ventos mudam de cor
os movimentos mudam os sentimentos,
aqueles em preto
agora dançam perfeitos."

Muitos foram os sofridos anos de sua infância,
o mundo lhe ensinava o que era necessário;
E a vida,
esta mostrava todas as suas complexidades ao menino.
O início da tardia adolescência aos quatorze
marcado pela sua primeira namorada,
é merecedor de um capítulo inteiro de sua vida
e consequentemente da nossa história.
A esse amor dedicou tudo o que podia,
pouco mais de um ano e todos os seus dias;
Achava entender tudo o que o amor há de ser,
e nunca mais vai esquecer do dia que lágrimas escorriam,
era um adeus.
Já confuso com tantas voltas que haviam lhe acontecido,
sentia seu fim próximo;
Doce ilusão, mal sabia que nunca teria essa sorte.
Os primeiros dias passaram,
e com eles as lágrimas.
Os meses seguintes se foram,
e neles lágrimas, sorrisos e o seu amor.
Ao sentimento que nunca se apagou, memórias.
As outras que vieram,
ninguém nem próximo mais chegou destas páginas.
Marcado havia, o começo da era de amores impossíveis,
altamente idealizados.
Com os quais nunca soube lidar;
Mas estes, sozinhos, são motivos para um novo capítulo.

"A reflexão mais profunda
de um ser tão superficial,
uma sucessão de incógnitas tão certas
que deixam dúvidas de sua existência."

Por Rafael

domingo, 5 de abril de 2009

Capítulo III

"Ao meu ver nada é como parece;
As mais simples histórias envolvem os mais
complexos personagens.
De simples, nem as memórias."

Nossos problemas começam na infância,
quando a vida trazia novas aventuras
e as novas aventuras, problemas.
Na escola, sempre foi o excluído,
as notas, as menores possíveis.
Todas aquelas letras brancas de giz
não faziam sentido ao nosso futuro poeta.
Mal ele sabia as tentações literárias que lhe aguardavam;
Enquanto isso,
seguia sem entender este mundo.
Seu pai, por várias vezes alertado
nunca havia de ter tempo em meio ao trabalho.
A vida foi passando,
os amigos, muitos raros;
E a solidão aos poucos o ensinou
a desenhar letras e emoções.

"Quantos versos vou ter que sonhar,
e quantos personagens vou ter que inventar,
só para ainda idealizar a vida.
De todos os mundos que eu já vivi,
nenhum tão vazio."

Por Rafael

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Capítulo II

Ainda sobre a vida, e as seus dias sem graça.
Os anos passaram;
Seus livros estão entre os melhores e seus poemas, novos clássicos.
Mas no fundo, nosso poeta ainda é um menino;
Versos sinceros, em busca de dias perfeitos,
a vida lhe mostra todos os seus lados.
Dinheiro não lhe falta, em sua vista do Central Park.
Amigos, também não falta os que tentam.
Seus pontos de vista particulares os afastam,
assim como as namoradas,
que dizem o amar, mas nunca o entender.
Incansáveis foram os passos perdidos até aqui,
muitos foram os dias em que sentado a sombra da mesma árvore
dizia estar apenas escrevendo.

"O que mais importa nessa vida não é o nome que a gente da ao tempo,
mas quanto tempo a gente da a vida!"

Quem pode entender os sonhos de um poeta,
se a tristeza o inspira.
Há quem diga que prefere que ele morra solitário.


Por Rafael

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Capítulo I

"O quão complicado é começar uma história,
são os desafios que me intrigam nesta aventura.
Aos que esperam palavras bonitas;
Maquiavel explica."

Era uma noite fria, de paisagens repetidas.
Solitário;
A tirar pelos versos, era triste,
e a vida havia lhe feito um grande mal.
Há quem ouse dizer que o fim deste grande poeta,
foi marcado junto ao de sua mãe, ao seu nascer.
Ironia do destino, ou simples brincar de seu Deus;
No qual não confiava.
Suas palavras o mantinham vivo e o aprisionavam
em duras e profundas reflexões.
Olhar profundo e cabelos desordenados,
as vestes simples e a barba sempre por fazer
trazem um ar de suspense,
e uma visão sempre nebulosa sobre o personagem.
Mistério é a palavra-chave;

"Sou páginas em branco, de amor e de dor"
Imagine agora, como se sente este pobre menino,
ao vazio de sua existência,
a falta de sorte de seu espírito.
Ainda só, nas mesmas noites frias e a mesma paisagem;
No final,
a vida sou eu e minhas folhas em branco.

Por Rafael